O UNIVERSO DIGITAL COMUNICACIONAL E AS CIÊNCIAS


Ida Maria Mello Schivitz



     Resumo

     Este artigo trata da “inclusão digital populacional” proposta pela ANATEL para o Brasil; das “posições digitais brasileiras em relação aos demais paises; do “E learning” e da linguagem expressa numa “visão transdisciplinar” digital.

     Abstract

     This article is about "population digital inclusion"proposed from ANATEL to Brasil; the brazilian digital rate in relationship to others countries; about E learning and laguage expression in interdisciplinary digital view.

     O intenso desenvolvimento tecnológico da comunicação, que progrediu até ao ciberespaço, à cibercultura, iniciou com a telefonia inicialmente fixa e ocorreu pela invenção de Graam Bell. E, progredindo sempre, hoje já contempla assessorar a mobilidade humana, através da telefonia móvel ou celular, que passa a ocupar cada vez mais o espaço mercadológico.

     Por causa desta evolução, a telefonia passou no mundo capitalista a ser encarada como um poderoso negócio comunicacional, considerado altamente rentável, principalmente em se tratando das áreas de transmissão de dados, imagens, voz , internet e intranet.

     O Brasil, inserido neste progresso, possui atualmente três operadoras fixas de telefonia, que são Brasil Telecom a Telemar e a Telefônica. Essas operadoras já recolheram para o FUST (Fundo de Universalização de Sistema) cerca de um bilhão de dólares, que entra para a ANATEL.

     A proposta 2004 da ANATEL, para aplicação deste fundo, é de um “sistema de futuro” para o Brasil, operacionalizado em banda larga para todos, denominado “inclusão digital populacional”.

     Para tanto, a ANATEL projeta inverter a pirâmide social digital, proporcionando atendimento, expansão da rede, desde cidades com 1000 habitantes para cima, para atender escolas, universidades, segurança pública, etc... Encontra-se essa proposta ainda em fase de estudo e consultas, nas metas desse órgão para 2004.

     Segundo levantamento da UIT [União Internacional de Telecomunicações], órgão da ONU para telecom em 2002 o Brasil estava posicionado em 11º lugar em número de usuários de internet, em 8º em número de Hosts (servidores) e em 10º em número de PCs no mundo. (UIT, 2002)

     Em relação à América do Sul, ocupava na mesma data o primeiro lugar, com 14.300 milhares de usuários, 2.237.527 Hosts e 13000 milhares de PCS. Em segundo lugar, porém com distanciamento encontra-se a Argentina, com 4.100 milhares de usuários, 495.920 Hosts e 3000 milhares de PCs.

     Em último lugar dos onze paises levantados encontra-se o Suriname com 29.019 milhares de usuários, 24 Hosts e 20 milhares de PCs.

     Auferindo ao índice de acessos digitais, considerando usuários domiciliares, segundo o IBOPE NetRatings, em dezembro de 2002, o Brasil possuía 7.404 milhares de usuários e em dezembro de 2003 passou para 8.664 milhares, apresentando um crescimento de 17%.

     Quanto à banda larga, considerando a Telemar, a Brasil Telecom, a Telefônica e a Tv a Cabo, não considerando parcelas menos representativas por serem de baixa utilização como a GVT, internet por rádio e outros provedores, as estatísticas levantadas revelaram que em junho de 2003 haviam 816.230 usuários. (Índice de Acesso Digital da UIT)

     Analisando os dados apresentados pela UIT, verifica-se que o Brasil ainda possui baixa penetração de telefonia fixa, de PCs , de uso de internet e de banda larga, por isso a proposta desenvolvimentista comunicacional, da ANATEL.

     Em relação à internet, chama a atenção, que apenas 6% dos sites são em português e que 70% dos sites mundiais versam sobre sexo, segundo informações fornecidas por funcionários do setor de Planejamento Estratégico da Brasil Telecom.

     Entretanto, a internet não apresenta apenas conteúdos negativos, nos 30% os sites mundiais restantes tratam de comunicações positivas., como assuntos científicos, E learning , E comerce, E economia ...

     Também em relação ao Brasil, o “E learning” vem despertando especial interesse por isso softwares como o ROODA (Rede Cooperativa de Aprendizagem: uma proposta de ambiente virtual para educação à distância/UFRGS) o EDUKITO o AIHA, bem como “chatterbots” educacionais têm sido criados pelas universidades.

     “Chatterbot” é um programa que procura simular uma conversação, com objetivo de levar o interlocutor a pensar que está falando com outro ser humano (LAVEN apud LEONHARDT et all., 2004)

     Dos “chatterbots educacionais”, que interagem em português destaca-se o Cybelle, nascido em 2000 e a profª Elektra, baseada na Alice (Artificial Linguistic Internet Computer Entity).

     Com as novas metas, propostas pela ANATEL, serão aumentados os índices de “inclusão digital populacional”, esperando-se, que especialmente, na direção de capacitação, comércio, cultura, aprendizagem e cooperação comunitária, mas certamente também carregarão maior relação de poder, dominação e controle...

     Em relação ao planeta Terra, observa-se, que através deste intenso desenvolvimento telecom, torna-se cada vez mais interligado por rede de fibras óticas, que carregam a navegação das comunicações, unindo-o virtualmente conduzindo consigo muitos avanços positivos (E learning, E comércio, etc...), mas de outro lado também propagando rapidamente a desestabilização de subjetividades, como econômica, desvios criminosos econômicos, subliminariedades indutoras de comportamentos, viroses que transmitem doenças desestruturando tanto grandes complexos cibernéticos como pequenos usuários, safadezas (sites sobre sexo, pedofilias, pornográficos), furtos de dinheiro de bancos e de pessoas, enfim malignidades e delitos de todas as espécies. Preço pago pelo progresso.

     Ainda cabe destacar, que a língua que se tornou naturalmente ponto básico para a comunicação universal é o inglês, sem imposição ditatorial, mas por imposição natural de intercomunicação, via INTERNET. Hoje, pode acontecer através desse idioma, comunicação de voz e dados, via a rede, com qualquer parte do mundo.

     CONCLUSÃO

     Olhando a evolução da comunicação e relacionando com o apregoado “Manifesto Científico Universal”, (a unificação da linguagem das ciências), observa-se que ele aconteceu em parte, pois está especificamente presente no idioma inglês, comunicado pelo mundo virtual/internet.

     Em relação à linguagem científica, considerando-se termos, palavras próprias, operacionalizações, observa-se que ainda continua o hiato entre as ciências, podendo-se interpretar o fato à luz de Foucault, quando ele alerta sobre o fenômeno das relações de poder.

     Quem detém a linguagem, a comunicação detém o poder, logo uma ciência que possui um corpo teórico, denominações e sentidos operacionais próprios, dificilmente abrirá mão de sua forma de expressão, de sua subjetividade, para assumir a de outra ciência. Como também, mesmo que se crie uma nova língua para ser entronada como científica universal, será difícil unificar as ciências, através de uma única fala, pela presença do dito fenômeno, do jogo de poder.

     Decorrendo, em relação ás comunicações científicas, como as originadas de Psicólogos, Advogados, Médicos, Engenheiros, Administradores, Informática, etc..., que os profissionais cada vez mais necessitem sair de seu castelo lingüístico, de sua subjetividade obrigando-se a buscar meios para entender a linguagem dos demais.

     Gera-se a necessidade de criar a visão transdisciplinar, principalmente quando houver trabalho em conjunto, em equipe interdisciplinar.

     Por causa da evolução científica, comunicacional, os profissionais acentuam a necessidade de ampliar seu entendimento, para além das fronteiras subjetivas de sua ciência, de trespassar limites da comunicação, para entender a linguagem do outro.



O quê nos constitui homens é a palavra.
Precisamos aprender a falar para entender
a necessidade do outro, para que as fronteiras
sejam marcas de aproximação e não de divisão.
(DONALDO SCHÜLLER, 2004)



     REFERÊNCIAS

ANATEL. Disponível em: acesso em março 2004
ANATEL- Disponível em: acesso em março 2004.
LEONNHARDT, Michelle et all. ELEKTRA: Um Chatterbot para uso em ambiente educacional. Disponível em acesso em março 2004.
UIT. UNIÃO INTERNACIONAL DE TELECOMUNICAÇÕES. Disponível em: acesso em março 2004
ITU. INTERNATIONAL TELECOMUNICATION UNION. Disponível em acesso em março 2004

Leituras


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