DA PSICOLOGIA COGNITIVA AO THETAHEALING DE VIANNA STIBAL


autora: Ida Maria Mello Schivitz*


      Resumo

      Neste artigo apresenta-se uma visão sintética da evolução da Psicologia desde Wundt e James, passando pelas teorias Behaviorista Watson-Skinner), a Cognitiva Comportamental (Skinner e Bandura) e a Cognitiva (Bandura), ressaltando a Terapia Cognitiva de Becker. A seguir apresenta-se também sintéticamente a técnica do ThetaHealing de Stibal, e conclue-se comparando o Thetahealing com a Terapia Cognitiva, bem como sugerindo a necessidade de estudos e pesquisas com a técnica de Stibal para tentar validá-la.

      Abstract

     
In this article we show in synthetic view, the Psychology growing from Wundt and James. We wrote about Behaviorist Theory (Skinner) the Behaviorist Cognitive Theory (Skinner and Bandura), and emphasized the Cognitive Therapy from Becker. After we show in synthetic view too, the ThetaHealing from Stibal. We end comparing ThetaHealing with Cognitive Therapy and still we suggest studies and researches with Stibal technique to validity her.



     Numa classificação mais geral pode-se situar, que a Psicologia até fins do século XIIX poderia ser enquadrada como pertencente a um período pré-científico, ou se encontrava numa fase absolutamente empírica, ligando-se como um braço da Filosofia. Era tida como “o estudo da alma,” mas, passou por uma transformação do século XIIX a XIX . E, pode-se colocar, que veio a se tornar Psicologia científica do inicio do século XX, em diante.

      Dentre os teóricos científicos, da Psicologia, Wundt (1832-1887), merece o primeiro destaque, pois foi ele quem fez o esforço para estabelecer a Psicologia como uma ciência positiva, objetiva, experimental, científica.

Wundt

     Essa Psicologia, que nascia no século XIX com a denominação de experimental, aparece como uma psicofisiologia, estudando as relações entre os fenômenos psíquicos e fisiológicos, entre a consciência e os estímulos do mundo inorgânico e orgânico.

     A Psicologia, que praticamente dominou o século XIX foi a do estudo da consciência, de uma consciência descrita apenas como um mundo interiorizado só acessível à introspecção, era eminentemente subjetiva, ou uma teoria, que apenas tinha olhos para o que fosse vida interior.

     Não obstante coube a Wundt, o mérito de tê-la melhor estabelecido como ciência positiva, embora ele mesmo jamais se tenha emancipado da filosofia. (Maria, 1965, apud Schivitz, 2004))

     Para Wundt, a Psicologia é "a ciência da experiência imediata", entretanto influenciado por Kant negou a experimentação direta no mundo psíquico e recorre à tese do paralelismo psicofisiológico. Considerava, que a experimentação não atinge diretamente o psiquismo, porém, esse manifesta-se pelos seus correlatos fisiológicos, que são passiveis de serem mensurados.

     Desta maneira, a Psicologia experimental restringia-se aos processos psicofisiológicos, estudando o limiar de sensações, tempo de reação, movimentos simples..., logo, se limitava a esquadrinhar as sensações, não estudando a dinâmica da personalidade e as sutilezas das diferenças individuais.

     O método científico de Wundt era essencialmente empírico e a observação seria a técnica específica que serviria para verificar os fatos tais como se apresentam. A experimentação era por ele definida como uma observação provocada, devendo sempre ser acompanhada por mensuração. (Figueiredo, 1999) Então, a Psicologia científica ou mensurável, inicia com Wundt sua trajetória.

     Como preocupação fundamental, Wundt trabalhava na descoberta de leis que teriam generalidade e uniformidade incompatíveis com as variações individuais. Para muitos autores, Wundt foi considerado o criador da psicofisiologia experimental.

     Wundt em 1863 publicou Lições de Psicologia Humana e Animal, baseado no curso que ministrava. E este é o primeiro estudo de Psicologia comparada, realizado. Em 1896, publicou Principios de Psicologia, no qual apresenta sua teoria.

     Wundt foi especialmente importante para a Psicologia, pois hoje ele ainda repercute nos estudos da mesma, já que suas idéias são encontradas fundamentando a “Psicologia Cognitiva”, na “Psicolinguística” e em estudos de Psicologia Social como no “Interacionismo Simbólico” e nas pesquisas francesas contemporâneas, de Moscovicci sobre "representações sociais" com inspiração em Durkheim. (Farr, 1999).

    Wundt tornou-se uma personalidade científica de relevância em sua época, por isso era visitado por outras personalidades para mostrar seu Laboratório, entre as muitas que recebeu destaca-se Freud (Pai da Psicanálise) que após o encontro com ele, escreveu "Totem e Tabu" como uma resposta à teoria de Wundt sobre a era totêmica, na evolução do ser humano. Entretanto, Freud além de visitar Wundt, na Alemanha, também visitou William James, nos Estados Unidos. Ambos eram considerados os próceres da Psicologia da época, por trabalharem com laboratório de pesquisa experimental.

William James

     William James (1841-1910), que estudou medicina em Harvard, foi realmente quem lançou as bases da Psicologia funcionalista positivista americana, o que aconteceu quando escreveu seu livro "The Principles of Psychologie" (1890), uma coletânea de seus ensaios e " Pragmatismo- Um nome novo para alguns velhos modos de pensar" (1909).

     Ainda escreveu outros livros como "Variedades da Experiência Religiosa" (1902) e "Significado da Verdade" (1909) E mais, foi James, quem introduziu o termo "pragmatismo" ou utilidade, na Psicologia. Serve para que? Ele usava os métodos comparativo, de introspecção e experimental.(Schivitz, 2004)

     Ainda hoje, se discute no meio científico, quem teria realmente criado o primeiro laboratório de Psicologia, se James ou Wundt e quem seria considerado o “Pai da Psicologia Moderna”. Em livros americanos lê-se que foi William James e em livros europeus que foi Wundt. (Schivitz, 2004)

     Em 1875, James usou uma sala para demonstrações e experiências psicológicas, mas Wundt nesta época, também já tinha seu laboratório, ou sala na universidade onde lecionava, logo, essa indagação fica sem resposta. Mas, para os americanos foi James, enquanto para os europeus foi Wundt.

    Quanto á consciência, James entendia que a mesma tem duração, pois permanece em processo de evolução contínua; mas embora transformando-se, evoluindo, conserva-se sem perder sua unidade. Ainda acreditava que toda consciência é pessoal e seletiva. Para ele "Quem pensa, escolhe alguns fatos e desinteressa-se de outros. Pensar é selecionar". (Maria, 1965, apud Schivitz, 2004) Na mesma época de Wundt e James, Pavolv (1849-1936) na Rússia, desenvolvia seus estudos, baseados na neurologia e comportamento. Suas pesquisas, sobre “reflexo condicionado”, realizadas por volta de 1904, receberam o Prêmio Nobel de medicina. Inicialmente foram escritas só em russo, porém assim que traduzidas para outras línguas passaram a influenciar principalmente os psicólogos americanos, especialmente aos que não se achavam satisfeitos com o método da introspecção de Wundt.

Pavlov

     Assim, os métodos experimentais de Pavlov se tornaram o fundamento principal do behaviorismo. Suas pesquisas esclareceram a mecânica da aprendizagem e da formação de hábitos; estimularam investigações relativas à motivação e ao sono, bem como á hipnose.. Também Pavlov e seus colaboradores conseguiram provocar em animais estados psíquicos mórbidos, semelhantes aos distúrbios denominados neuroses.

    As pesquisas de Pavlov, neurológicas, tem como ponto principal o estudo de um fato por ele observado, o de ver a saliva de um cão pingar quando ele espera sofregamente pelo alimento. Originalmente, nos animais jovens e nas criancinhas a secreção da saliva não se inicia antes que o alimento seja realmente colocado na boca: constitui uma reação glandular reflexa, cujo estímulo peculiar é a presença do alimento na boca.

     Mas, com o passar do tempo, a vista ou o odor do alimento é capaz por si só, de provocar fluxo de saliva. Esta nova resposta, produzida por qualquer coisa diferente do seu reflexo original e biologicamente adequado é um "reflexo condicionado". Em 1926, publicou o livro “Reflexos Condicionados”, obra baseada em curso, que ministrou na Academia Militar. Esta obra apresenta sua grande sistematização sobre o assunto, arco reflexo e reflexo condicionado. (Schivitz, 2004)

     Ao estímulo associado, ou seja, - a vista ou o odor do alimento- chama-se "estímulo associado" e a resposta a esse estímulo condicionado ou substitutivo é o "reflexo condicionado". Pavlov diferiu dos antigos estudos associacionistas e aos de William James por que não se ocupou com idéias, nem com aprendizagem verbal, mas sim com respostas glandulares que podem ser medidas e comparadas, sob condições rigorosamente controladas. Para ele, na ausência da mensuração não pode haver delimitação, nem precisão, nem fato objetivo. E, sem delimitação, precisão e fato objetivo segundo seu pensamento, não pode existir ciência. (Garret, 1959).

Watson

     Já a perspectiva denominada behaviorista (comportamentalista) foi instaurada com o artigo escrito por Watson, em 1913, intitulado de “Psicologia: como os behavioristas a veem?”. Watson tomava como objeto da Psicologia o comportamento. O fundador do Behaviorismo deu consistência à Psicologia por ter um objeto de estudos observável, mensurável. Os experimentos dessa ciência do comportamento, poderiam ser reproduzidos em laboratório, em diferentes condições e em diferentes sujeitos.

     Essa nova perspectiva levou ao rompimento da Psicologia com a Filosofia, já que antes da Psicologia adquirir o status de ciência, no sentido positivista do termo, tinha por objeto o estudo da alma, e, assim sendo, enquadrava-se dentro dos estudos filosóficos. Watson defendeu a concepção funcionalista, isto é, “o comportamento deveria ser estudado como função de certas variáveis do meio” (Teixeira, 2007, apud Schivitz, 2004).

     Após Watson, surge outro importante pesquisador seguidor da mesma linha: B.F. Skinner (1904-1990). O Behaviorismo Radical, como foi nomeado por Skinner, teve grande aceitação nos Estados Unidos e no Brasil. Ele era também chamado de “Engenheiro da Psicologia” por ter realizado muitos experimentos e criado muitos aparelhos para a Psicologia...Trabalhava em relação a comportamentos humanos e de animais.

Wundt

     Este pesquisador, Skinner, propôs que a filosofia da “Ciência do Comportamento” se desse através da análise experimental do mesmo. Escreveu o livro “Ciência e Comportamento Humano” em 1951. Neste livro propôs sua teoria basilar de condicionamento operante e modelagem, entre outros tópicos. Coloca sobre a continuidade do comportamento que “o condicionamento operante modela o comportamento, como o escultor modela a argila.....um operante não é algo que surja totalmente desenvolvido no comportamento, É o resultado de um contínuo processo de modelagem” (Skinner, B.F. 1998 ) Para realizar a modelagem trabalhava com reforço que pode ser aversivo / punitivo ou positivo/ agradável ou ainda de extinção.

     O conceito-chave do pensamento de Skinner, o Behaviorista Radical, é o de condicionamento operante, ao qual ele acrescentou à noção de reflexo condicionado, formulada pelo cientista russo Ivan Pavlov.

     Todavia, também entendia, que o ser humano apresenta vários tipos de comportamentos além dos operantes, que foram classificados como: comportamentos reflexos (involuntários) e voluntários.

     O comportamento operante é aquele que tem o estímulo emitido pelo ambiente e esse desencadeia um comportamento observável.

    O comportamento reflexo é aquele em que o indivíduo age involuntariamente. Já o comportamento voluntário é uma ação consciente do indivíduo em relação a algum fato que ocorre no ambiente. Também Skinner dedicava-se especialmente à educação e ao que denominava máquinas de aprendizagem.

     Escreveu em 1968 o livro “Tecnologia do Ensino”, que fundamentava o ensino programado, que foi muito usado no Brasil. Nele a organização do material didático era realizada da forma que o aluno pudesse utilizar sozinho, recebendo estímulo à medida que avançava no conhecimento. Skinner, por alguns anos, teve como seguidor outro psicólogo, Bandura, (canadense, *1925). Ele fez sua vida acadêmica na Universidade de Stanford onde lecionou até sua aposentadoria..

    Mas Bandura, após algum tempo, distanciou-se do caminho teórico skinneriano, não aceitando mais experiências com animais, dedicando-se aos estudos com humanos, entre outras inovadoras premissas teóricas. Seu primeiro livro foi escrito em 1953, “O Adolescente Agressivo”. Passou a estudar a modelação (moldar desde um plano zero, diferenciado-se de Skinner), dedica-se à Psicologia Social da aprendizagem e propõe sua teoria denominada como “Teoria Social da Aprendizagem”.

    Foi em 1986 com seu livro “Fundamentos do Pensamento e da Ação: uma Teoria Social Cognitiva”, que Albert Bandura alterou o nome de sua teoria para “Teoria Social Cognitiva”. Agora dá ênfase à observação, à imitação e aos processos vicários, sociais, humanos, enfim à cognição. Esta autora teve o prazer de manter contatos com o Mestre Bandura, por volta de 1976.

     Diferente de Watson e Skinner, que afirmavam que o ambiente modela a personalidade e o comportamento da criança, Bandura e outros, propõem que as ligações entre as pessoas, comportamentos e ambientes são biderecionais, assim, uma criança pode influênciar o seu ambiente por meio da sua própria conduta ou/ e ser influenciada por ele. (Schivitz, 2004)

     Bandura também estudou o comportamento de adolescentes, o auto controle, a influência familiar, a influência da televisão para crianças, a tomada de decisão, a auto-eficácia (competência em lidar com a vida), escreveu em 1997 o livro “Auto-eficácia. Exercício de controle”; crianças em jardim de infância, etc...e propunha que a psicoterapia devia ser uma re- educação da pessoa. Bandura com a proposta de sua teoria social cognitiva, fundamentada no pensamento, é denominado o “Pai da Teoria Cognitiva”.

Aaron Beck

     Por 1960, outros estudiosos descontentes com o uso da terapia psicanalítica principalmente com pacientes depressivos, iniciaram a trabalhar psicológicamente fundamentados na Teoria Cognitiva. Aaron Beck (professor de Psiquiatria na Universidade de Pensilvânia) e seus colegas publicaram o livro “Terapia Cognitiva da Depressão” (1979). Tornando-se esse, logo a seguir um importante modelo de psicoterapia, ou um dos que mais cresce no mundo para tratamento de transtornos de personalidade.

Beck Aaron  Beck

     Aaron Beck preside o “Beck Institute for Cognitive Therapy” onde também atua sua filha Judith S. Beck, PH.D., ela com sua experiência nesta terapia cognitiva, escreveu o livro “Terapia Cognitiva. Teoria e Prática” (1997). Beck, com vários seguidores como Mahoney, Aarthur Freeman, Denise Davis, Albert Ellis, Dennis Greenberger, Christine A. Padesky, Jeffrey Young e muitos mais, comprovam a cientificidade, a validade desta terapia que também é considerada como uma psicoterapia re-educacional.

Mind

     A Terapia Cognitiva requer cuidadosa entrevista inicial, um bom diagnóstico, fundamentado no DSM atualizado, conceituação, planejamento para cada sessão e tratamento. A terapia requer a avaliação do paciente através de vários questionários/testes psicológicos, escalas, sempre em acordo com a problemática apresentada pelo mesmo, avaliação de temperamento, identificação de emoções; identificação de crenças, de crenças centrais ou esquemas, seu funcionamento, bem como pensamentos/crenças automáticos, crenças intermediárias, crenças nocivas e sadias, a manutenção de crenças, a evitação, a compensação, a substituição e a resolução. Requer escavação através de métodos como o socrático e outros, relaxamentos, construção de imagens mentais, dessenssibilizações, aplicação de pensamento paradoxal, etc....

Depressão

     Trabalha com estratégias cognitivas e estratégias vivenciais, modos de enfrentamento, recordação do inicio do transtorno, registro de pensamentos disfuncionais (RPD), Técnica ABC, Flecha descendente, etc.... Seus criador frisa que busca contribuição em outras orientações teóricas como na Terapia Comportamental, na Terapia da Gestalt, na Logoterapia de Frankl (Beck, J. 1997) Viktor Frankl, discípulo de Freud, do qual esta autora assistiu várias palestras e realizu cursos sobre sua teoria.

Judith Beck

     Também, a Terapia Cognitiva, reforça o valor da relação terapêutica, ou do “rapport” terapeuta/paciente. Sempre solicita uma lição de casa, quando o paciente ou terá que ler sobre assuntos pertinentes ou treinar pensamentos ou ações. Ainda sempre propõe construções de objetivos, de metas e sempre trabalha com prevenção de recaídas (Beck, J, 1997)

     Específicamente a Terapia Cognitiva de J. Beck (1997. p. 21 a 27) está fundamentada em 10 princípios que são:

     1. A formulação do contínuo desenvolvimento do paciente e de seus problemas em termos cognitivos;

     2. Requer uma aliança terapêutica segura;

     3. Enfatiza a colaboração e participação ativa do paciente;

     4. É orientadda para metas e focalizada em problemas;

     5.Enfatiza inicialmente o presente;

     6. É educativa, visa ensinar o paciente a ser seu próprio terapeuta e enfatiza a prevenção da recaída. (lembra Bandura que considera a terapia uma re- educação.);

     7. Tem um tempo limitado. No geral, deve ir de quatro a catorze sessões; embora permita que se alongue, de acordo com a necessidade do paciente;

     8. As sessões de Terapia Cognitiva devem ser estruturadas, para cada sessão, de forma colaborativa;

     9. A T.C. ensina o paciente a identificar, avaliar e responder a seus pensamentos e crenças disfuncionais;

     10. A T.C. utiliza uma variedade de técnicas para mudar pensamentos, humor e comportamento.

Judith Beck

     Seu trabalho com o levantamento de pensamentos funcionais e disfuncionais, pode ser de forma oral ou escrita. Considera que atrás de cada pensamento disfuncional existe uma crença a ser encontrada e trabalhada. Existe uma crença central que é rígida, global e supergeneralizada, Essa crença central influencia o desenvolvimento de uma classe intermediária de crenças. que formatam atitudes, regras e suposições.

     Exemplificando para uma crença central (ou esquema, de incompetência, aparece a crença intermediária:

     Na atitude: ´´E horrível ser incompetente.”

     Nas regras e expectativas: ”Eu devo trabalhar o mais arduamente que puder o tempo todo.”

     Na suposição: “Se eu trabalhar o mais arduamente que puder, posso ser capaz de fazer algumas coisas que as outras pessoas fazem facilmente.”

     Aí, pode surgir o pensamento automático da pessoa ...” é difícil....” e a emoção que pode ser de tristeza, a somatização de “dor no abdomem” Para encontrar a crença localizada ao fundo do pensamento disfuncional pode-se usar a “Técnica de Flecha Descendente”.

     Exemplo de questionamento (RPD) com a técnica chamada “Flecha Descendente”: (Beck, J. 1997)

     1.Em relação à situação focada pelo paciente, pergunta-se:

     - Quem? - O quê? - Quando? - Como?

     2.Estados de humor:

     -O que você sentiu ? - Meça cada estado de humor (0 a 100%)?

     3.Pensamentos automáticos (imagens) podem surgir como resposta às perguntas:

     - “O que estava passando por sua cabeça instantes antes de você começar a se sentir deste modo? ”

     -Diga qual é o “pensamento quente” para você? ( Pensamentos considerados quentes são cognições ou pensamentos e imagens automáticos, que estão associados a uma mudança ou aumento de emoção.)

     - O que seria melhor para você?

     - O que seria pior para você?

     - O que de pior poderia acontecer, se isso fosse verdade?

     - O que de melhor poderia acontecer, se isso fosse verdade? Etc...

     Ainda aparecem perguntas como:

     - O que estava passando pela sua cabeça no momento da situação ( X)? Ou:

     - “ O que essa situação (X) significou para você?

     Quando o paciente chega no consultório Judith Beck desde logo indaga:

     “Quais problemas voce gostaria que eu auxiliasse a resolver, hoje?”

     Assim, realizou-se uma rápida exposição da “Terapia Cognitiva” que considera-se ter muitos pontos de contáto com a Técnica ThetaHealing de Vianna Stibal. Quanto mais não seja, ambas estão sob um Quadro Teórico atual, americano, o da Teoria Cognitiva.


     ThetaHealing de Vianna Stibal

     Vianna Stibal criadora da técnica ThetaHealing, escreve no prefácio de seu livro “ThetaHealing Uma das Mais Poderosas Técnicas de Cura Energética do Mundo” “o ThetaHealing é um processo de meditação que promove cura física, psicológica e espiritual, com oração focada no Criador.” O Criador é entendido como qualquer Energia Maior que a pessoa acredite.

     Expõe, que ela compreende que o Criador pode ter muitos nomes diferentes: como Deus, Buda, Shiva, Deusa, Jesus, Javé , Ála....etc... e que, são todos correntes de energia fluindo em direção ao Sétimo Plano da Existência da Energia Criadora de Tudo que É. Também declara, que sua técnica não tem filiação religiosa, tampouco seus processos são específicos para alguma idade , sexo, raça. cor, credo ou religião. “ (Stibal, 2016,a p. 15)

     Coloca a criadora da técnica, que seu ex marido Blake era hipnotizador, que tinha muitos livros sobre a mente, o sub consciente, os quais ela leu e que lhe proporcionaram conhecimento dos estados hipnóticos especialmente do plano da hipnose theta. Como ela já estava realizando curas, atribuiu a que levava o “paciente” a esse estado hipnótico, mais acrescenta a fé. Então, coloca que faz cura pela fé. Hoje, com o enfoque apregoado da crença da espiritualidade junto ás ciências, verifica-se que esta técnica do ThetaHealing está alinhada à física quântica, ao entendimento sistêmico, holístico do homem.

     Vianna utiliza chaves para o despertar psíquico como:

     1. Poder das palavras;

     2. Ondas cerebrais (os estados alterados de consciência);

     3. Sentidos psíquicos e chacras;

     4. Livre arbítrio/ co criação;

     5. Comandos;

     6. Poder de observação;

     7. Acesso ao “Criador de Tudo que É”. (Stibal, 2016 a, p. 34)

     Utiliza o comando sempre dirigindo o cliente ao 7º Plano, denominado por ela, do Criador, Em busca, em primeiro lugar de Amor Incondicional, que se encontra neste sétimo plano, mas passando mentalmente pelos demais seis planos a partir primeiro. Técnica muito usada para hipnose e relaxamento também, quando se conta aprofundando o comando de indução de um a sete. Explica Stibal sua teoria acerca de cada plano, como trabalha com comandos “hipnóticos” e a busca pelo plano maior o do “Amor Incondicional”

     “Criador de Tudo que É é comandado que o Amor Incondicional seja enviado através de cada célula do corpo dessa pessoa. (nome) Grato! Está feito! Está feito! Está feito!” (Stibal, 2016 a, p. 34)


     Com o seu poder de observação o terapeuta deve tornar-se testemunha do feito, por sua percepção e reações do paciente. Assim, as curas são atribuidas ao Criador e o terapeuta é uma testemunha. Ainda, são realizados vários outros tipos de meditações guiadas, para atingir aos objetivos previamente propostos, após a busca da crença central do cliente em relação ás crenças sobre a situação problemática colocada.

     Após cada procedimento, ou anterior ao mesmo, é usada avaliação cinestésica, ou seja teste muscular realizado, juntando o dedo indicador e o polegar.

     No sim, os dedos mantem-se juntos, no não, abrem-se. O teste pode ser realizado com o corpo funcionando como pêndulo ou com os braços. Testes que são realizados para verificação do grau hipnótico das pessoas.

     Também é usado o chamado “Digging” ou “Escavação” na entrevista com o cliente, buscando achar a crença central que o paciente carrega, para que seja resolvida no nível histórico e cancelada e substituida nos demais níveis.

     Em sua teoria propõe quatro níveis de crenças (20016.a) a saber:

     A primária, que surge na concepção e prossegue pela vida. Localiza-se no lobo frontal. Deve ser cancelada e substituida.

     A Genética, que carrega sentimentos e emoções genéticas. Memórias genéticas de até sete grações passadas. Este nível lembra fortemente a teoria filogenética do Dr Szondi, que criou o teste de mesmo nome, que avalia os vetores genéticos que a pessoa carrega. O psiquiatra Szondi cunhou sua teoria e teste para sua dissertação de doutorado acessorado por Freud e Young. Esse teste esmiuça o nível psico-genético e suas interferências na realidade presente do paciente. Para Szondi devem ser reconhecidas durante tratamento psicológico. As crenças genéticas de Stibal, devem ser canceladas e substituidas.

     O nível histórico que carrega memórias de outros tempos e lugares, consciência de grupos, coletivas, sociais, do plano astral e estão no subconsciente. Neste nível as crenças são resolvidas, não canceladas, pois são importantes como aprendizagem.

     O nível da alma, as crenças neste 4º nível são tudo o que a pessoa É, ou seja suas emoções. Localizam-se no chacra do coração. Essas crenças devem ser canceladas e substituidas.

     Os comandos indutórios podem ser realizados objetivando cada nível ou ser feito apenas um comando indutório sintético, que alcança todos os níveis de crenças.

     Stibal apresenta outra estratégia, em seus livros e cursos, que são várias frases de efeito pós hipnótico chamadas “Maestrias”. Conforme as crenças descobertas, as frases de Maestrias, são escolhidas, de forma apropriada ao problema, para servirem como comandos pós hipnóticos, para o paciente, em estado theta.

     Em relação ao denominado Digging, ou Escavação para descobrir as crenças nocivas, centrais, Stibal (b. 2016) recorre às mesmas técnicas da Terapia Cognitiva cunhada por Aaron Beck, (1997 ) e aprimorada por seus seguidores como: Judith Beck (1997) Greenberger e Padesky, (1999 ), Lehahy, (2006 ) Young ( 2008) dentre outros dessa modo terapêutico.

     Assim, entre outras, as perguntas advindas da terapia cognitiva como: - Quem? O que? Onde? Por que? Como? Quando? são usadas na técnica Thetahealing, para descobrir as crenças básicas, nocivas ou saudáveis, porém em princípio, de forma mais rápida é atingido o objetivo, já que a pessoa está em theta. Assim as crenças centrais nocivas, podem ser canceladas, substituidas ou resolvidas quase que instantâneamente.

     De forma sintética se expoz o ThetaHealing, que vem sendo atualmente difundido no mundo, em vários paises da Europa, Dubai, Brasil, bem como nos Estados Unidos de onde ela se origina, através da oferta de cursos onde é explicada a técnica, concomitantemente com treinamentos exaustivos dos participantes. A estes cursos tem acorrido muitas pessoas, como professores, médicos, psicólogos, veterinários, outras formações e mesmo pessoas sem formação superior, mas que se interessam pelo assunto e muitos terapêutas holísticos.

     Conclusão e Discussão

Ao ler atentamente os livros escritos por Stibal, ter realizado seus cursos e como conhecedora da História da Psicologia, por já ter lecionado esta, entre outras cadeiras em Universidades do Rio Grande do Sul, senti forte apelo para estudar a proposta terapêutica de Stibal, correlacionando-a qualitativamente com o Quadro da Psicologia Comportamental e da Cognitiva, bem como, com a abordagem da Terapia Cognitiva.

Vianna

     A técnica de Stibal, assentada no nível theta, dos estados alterados de consciência, apresenta inovações para tratamento psicológico e físico (psicossomático), sendo que, mais, leva em alta consideração a espiritualidade, considerada alheia a qualquer religião, como vem sendo proposto, na atualidade pelos meios científicos. E, além de suas inovações, ela utiliza principalmente o “Digging” com assento na abordagem da “Terapia Cognitiva”.

     Ainda, Stibal, agrega o conceito psicológico de energia, já exposto no título de seu livro “ThetaHealing uma das mais Poderosas Técnicas de Cura Energética do Mundo” (2016) hoje apregoado pela Física Quântica, mas já trabalhado por Freud e Jung. Jung chegou a escrever um livro sobre o assunto, onde expoz seu pensamento “A Energia Psíquica” (1985, p. 15) de onde salienta-se o parágrafo:

     ....” A Psicologia, do mesmo modo que a Física, pode permitir-se o direito especial de formar seus próprios conceitos...... ... na medida em que é conveniente adotar um ponto de vista energético e ele não significa apenas, como já dizia Wundt com razão, uma mera inclusão de conceito genérico e vago.....Escreve Jung, somos, de opinião que vale a pena adotar um ponto de vista energético, a respeito dos fenômenos psíquicos, ... ..” Jung em sua teoria propõe bem mais:

     ....”Estamos inteiramente de acordo com Wundt, quando ele afirma que existem coisas obscuras no consciente... mas para nós, a psiquê não cessa, quando começa o obscuro; ela continua no inconsciente....”

     Nesse ponto, ingressa-se noutra discussão teórica, a de que para a Psicologia Cognitiva iniciada por Wundt o objeto de estudo é o consciente ou a consciência, enquanto para Jung como para Freud o objeto de estudo é o inconsciente. Entretanto, foram Freud e Jung que apelaram fortemente para o termo energia psíquica em suas teorias. Termo básico para a teoria de Stibal.

     Concluindo, hoje, pela imensa literatura e trabalhos científicos apresentados comprovando a validade da Teoria Cognitiva e da Terapia Cognitiva, elas firmaram-se no meio científico. A Teoria Cognitiva é amplamente usada apoiando estudos sobre a aprendizagem e estudos evoluidos da Informática e a Terapia Cognitiva muito difundida mundialmente entre psicólogos. Entretanto, quanto á técnica de Stibal, como tantas outras da atual “Terapia Holística” como Reiki, Constelações, Terapias Naturais, Medicina Oriental, etc,,,, embora demonstrem melhora dos pacientes, constata-se que ainda necessitam de estudos e pesquisas científicas, que comprovem sua validade, no que tange à melhoria do paciente.


      Referências

     

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      Beck, J. (1997). Terapia Cognitiva Teoria e Prática. Artmed Porto Alegre RS

      Beck Aaron; Freedman A; Davis D. (2005). Terapia Cognitiva dos Trantornos da Personalidade. Artmed. Porto Alegre RS

      Farr, R. (1999). Raizes da Psicologia Social Moderna. Ed. Vozes. Petrópolis

      Figueiredo, L. e Santi (1999). Psicologia. Uma Nova Introdução. Ed. EDUC. S.P.

      Garret, H. (1969). Grandes Experimentos da Psicologia. Companhia Editora Nacional. S. P.

      Greenberger,D; Padesky C (1999). A Mente Vencendo o Humor. Artmed. Porto Alegre.

      Leahy, R. (2006) Técnicas de Terapia Cognitiva. Artmed. Porto Alegre

      Maria, Madre C. (1965). Psicologia Científica Geral. Ed. Agir. RJ.

      Schivitz, I.M.(2004) Algumas Perspectivas do Pensamento Psicológico. Capítulo primeiro, da Monografia do curso de especialização em Ciências Criminológicas (UFRGS/Faculdade de Direito) Uso interno para alunos das disciplinas de História da Psicologia e Psicologia Social cursos Psicologia e Serviço Social ULBRA Gravataí

      Stibal, V. a (2016). ThetaHealing. Uma das Poderosas Técnicas de Cura Energética do Mundo. Ed. Madras. S.P.

      Stibal.V. b (2016). ThetaHealing Avançado. Utilizando o Poder de Tudo que É. Ed. Madras. S.P.

      Skinner, B.F.(1998). Ciência e Comportamento Humano. Ed. Martins Fontes. S. P.

      Young, J; Klosko J; Weushhar, M (2008). Terapia do Esquema. ARTMED. Porto Alegre

      Jung, C.G. (1985). A Energia Psíquica. Obras Completas de C.G. Jung. Volume VIII/1. Ed. Vozes. Petrópolis.


Justiça



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Professora universitária de Cursos de Psicologia, Serviço Social e outros.