Cognição



PENSAMENTO, COGNIÇÃO E METACOGNIÇÃO


autora: Ida Maria Mello Schivitz*



      O sentido de cognição aparece desde os escritos de Platão e Aristóteles. Mas, a palavra surgiu no latim com o termo “cognitione” significando “aquisição de conhecimento através da percepção”.

      Entretanto, seu conceito atual é bem mais abrangente, significando “o ato ou processo de conhecer, que envolve atenção, percepção, memória, raciocínio, juízo, imaginação pensamento e linguagem.” (Wikipedia)

      Porém, a cognição além de ter foco individual também tem o social. Fiske e Taylor (Rodrigues, Assmar, Jablonski, 2000) acreditam que a cognição social é o estudo de como as pessoas fazem inferências a partir de informações obtidas no ambiente social. Ao entrarmos em contato com o ambiente social que nos rodeia, percebemos outras pessoas, conhecemos gente de diferentes grupos e interagimos com elas.

      Ainda, se pode dizer que a cognição social é um processo cognitivo do qual sofre-se influências tendenciosas, de esquemas sociais, heurísticos* e ainda a necessidade de descobrir as causas dos comportamentos efetivados.

      Desse contato formam-se:

      O auto-conceito, o etiquetamento ou rotulação de outras pessoas e surgem elaboradas por nós, teorias próprias de personalidade sobre outros.... Logo o auto-conceito é formado pela comparação do indivíduo com outras pessoas, sendo uma auto-percepção do corpo, do sexo, da família de preferências, etc... A teoria da comparação social de Festinger coloca: “Para saber quem somos é necessário olhar para fora de nós.... e ainda pergunta: Quem sou eu? Que é auto-percepção?

      O primeiro passo da auto-percepção é a percepção do próprio corpo. Pick em 1908 já denominava a auto-percepção como somatognosia ou imagem espacial do corpo. Head em 1920 passou a denomina-la como esquema corporal. Van Bogaert em 1934 a denominou como imagem de si e Le Boulch apropriadamente dizia que o conhecimento (cognição) do corpo e do espaço são imprescindíveis para movimentos normais e imprescindível para o domínio dos comportamentos ou ações. (Schivitz, 1977)

      Assim, deve-se salientar que a capacidade de percepção é básica para a formação de conceitos. Segundo Krech, a percepção é funcional e resulta das características de estímulos, de estados psicológicos e fisiológicos de quem percebe.

      Segundo Piaget, a percepção não pode funcionar sem a intervenção de um esquematismo sensório-motor solidário da ação inteira, que estaria localizado no ponto de partida das estruturas lógicas posteriores...(Baldwin, 1973, Flavel s/d, in Schivitz, 1977)

      Mas, a percepção vai além e se defende. Apresenta a “defesa perceptiva”, que é o bloqueio efetuado para estímulos perturbadores que podem nos impressionar ou já nos impressionam, como para assuntos que não interessam.

Bom conselheiro


      Do conceito de “cognição” surge outro, o denominado de “metacognição”, a partir de 1970. Os processos metacognitivos coordenariam as aptidões cognitivas envolvidas na memória, na leitura na compreensão de dados, planejamento, autocrítica, introspecção, etc... e, nesse primeiro momento foram linkados à aprendizagem e aos estudos de “bom aluno”.

      A esse novo conceito criado, Flavell denominou "metacognição". (Ribeiro, Célia)

      Segundo Weinert (1987), metacognições são cognições de segunda ordem, ou seja, pensamentos sobre pensamentos, conhecimentos sobre conhecimentos, reflexões sobre ações, condutas, ou comportamentos próprios eu coloco introspecção, o auto conhecimento.

      Campione e outros (1982) colocam que a prática da metacognição melhora a atividade cognitiva e motivacional, por isso potencializa todo processo de aprendizagem. Entretanto, na prática, em geral, existe dificuldade em estabelecer a real diferença entre “cognição” e “metacognição”, segundo Ribeiro.. (Ribeiro, Célia)

      Segundo Ribeiro, a metacognição apresenta duas formas de entendimento, uma que é o conhecimento sobre o conhecimento ou tomada de consciência dos processos e das competências necessárias á tarefa a que a pessoa se propõe executar; a outra forma, a do controle ou da auto-regulação que é a capacidade para avaliar e fazer correções e controle de responsabilidade. (Ribeiro, Célia)
Bom conselheiro

      Flavel estuda a metacognição junto com a “metamemória”, ou o além da memória. Pois, para se autoquestionar a pessoa recorre sempre á sua própria memória, logo ambas andam juntas.

      Pode-se considerar que a metacognição apresenta algumas variáveis como:

      - Pessoal que pode ser intraindividual (percepções, auto-conhecimento, atitudes, interesses, emoções, sentimentos, crenças, estereótipos, inteligência,etc...),

      - Interindividual, diferenças interpessoais como ainda universais relativas à área cultural.

      - Ou, experiências metacognitivas de foro emocional, afetivo de sentimentos e crenças, que são impressões ou percepções conscientes antes, durante ou após tarefas ou comportamentos (Ribeiro, Célia)

      Enfim, a “metacognição” é o pensar, o refletir, sobre si, o auto criticar-se, que gera a possibilidade de reformular as cognições ou pensamentos e com isso a pessoa sofrer nova agora auto aprendizagem e poder se encaminhar para novos rumos de vida, mais planejados, melhor fundamentados baseados na racionalidade humana, por isso com mais possibilidades para o enfrentamento de um novo caminho de vida.

      Referências

Rodrigues, A, Assmar, E.M.; Jablonski, B (2000) Psicologia Social. Rio de Janeiro. Editora Vozes.

Ribeiro, Célia (2010) Um Apoio ao Processo de Aprendizagem.

http://www.scielo.br/pdf/prc/v16n1/16802.pdf Acessado em 21/07/2011.

Schivitz, Ida M. (1977) O Adulto Analfabeto e os Trantornos de Percepção e Psicomotricidade. Porto Alegre, editora Sulina.

Relax

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•Professora universitária de Cursos de Psicologia, Serviço Social e outros cursos.