Bom conselheiro




CONHECE-TE A TI MESMO



      A Entrevista Motivacional é uma abordagem que serve para auxiliar ao Psicólogo na tarefa de construir com o paciente sua mudança comportamental. Pode ser usada no aconselhamento, na orientação e no tratamento de qualquer problema que envolva motivação, ambivalência e mudança de comportamento, sempre com o objetivo de promover saúde.

      A Entrevista Motivacional utiliza o aconselhamento diretivo como auxílio na resolução de problemas. É uma abordagem que utiliza a comunicação para facilitar essa promoção de saúde, trabalhando sempre com a motivação intrínsica do paciente.

      Então surge a pergunta, qual é o conceito de motivação, nesta perspectiva?

      - Motivação é a probabilidade de que uma pessoa entre num processo de mudança, permaneça nele e o adote como um novo estilo de vida, pode também ser considerada como um estado de prontidão com característica dinâmica, que auxilia a pessoa, caso necessário, a aderir a um próximo tratamento que pode ser médico ou psicoterápico. Mas, além da motivação específica, esse instrumento também trabalha os pensamentos, ou seja a teoria cognitiva, além do aconselhamento centrado na pessoa, na teoria sistêmica e psicologia social. (Miller, W; Rollnick,S, 2001)


Pensamentos


      Os estudos cognitivos comprovam a força da mente. Ao haver mudança na maneira de pensar, proveniente de nova atitude, obtida por nova motivação, gera-se conseqüente mudança de comportamento. Neste momento muitas dificuldades pessoais ou sociais podem ser superadas

      Nossa mente sempre está sendo impressionada por vários pensamentos, sendo que em sua maioria siquer são percebidos por nós, ou seja, não recebem o foco da nossa atenção, pois acontecem de forma rápida, involuntária e automática. E mais, esses pensamentos, também ditos automáticos, podem se apresentar de forma exagerada, distorcida, equivocada, irrealista, ou disfuncional. Mas, de qualquer modo, apresentam sempre papel importante, relevante na vida pessoal, pois muitas vezes moldam as ações respondentes aos eventos da vida. Geralmente a modificação dos pensamentos automáticos pode melhorar o humor pessoal como a vida pessoal.

      Pode-se também situar algumas características dos pensamentos automáticos: aparecerem espontaneamente mas não como resultado de reflexão ou vontade; são aceitos como verdadeiros sem crítica, são breves, rápidos e fugazes; podem ocorrer de forma verbal ou como imagem; estão sempre associados à motivações e emoções específicas, consoante seu conteúdo e significado. Daí decorre que se pode com treinamento específico aprender a identificá-los e avaliá-los quanto a sua validade e ou utilidade. (Knapp, 2004, p. 26)

      Conjuntamente, nossa mente também está impressionada pelo social, ou dita percepção social, ou ainda denominada cognição social. Cognição social, segundo Fiske e Taylor (Rodrigues, et all. 2000, p. 67) é a forma como as pessoas fazem inferências a partir de informação obtida no ambiente social. E é no contato com o ambiente social que são formadas idéias (pensamentos) sobre si próprio (autoconceito) surgindo a pergunta: Quem sou eu? (Rodrigues, et all. 2000, p. 67, 68)

      E, além dessas idéias ou pensamentos ainda somos levados à tendência para categorizar o ambiente em torno, numa tentativa para facilitar o relacionamento interpessoal. Mas as vezes, essas categorizações podem ser disfuncionais.... carregando consequências funestas...


Crenças



      A partir desses pensamentos ou idéias, as pessoas, ou todos nós, formamos uma série de crenças corretas ou não (disfuncionais), sobre quem somos. Crenças fortemente influenciadas por vários fatores, em especial pelos resultantes do processo de interação social como um todo, que acontece desde os primeiros estágios de desenvolvimento humano. (Rodrigues, et all. p.67.2000)

      As crenças podem tornar-se centrais ou nucleares. Essas, as centrais ou nucleares estão em nível mais fundamental, são globais, rígidas, inflexíveis e super generalizadas. São idéias enraizadas acerca de nós mesmos, das pessoas e do mundo. São incondicionais, independendo das situações que se apresentam. O mundo é sempre pensado de forma igual em alguns aspectos, podem estar cristalizadas por isso consideradas disfuncionais.

      As crenças centrais ou nucleares influenciam o desenvolvimento de uma outra classe de idéias, a classe intermediária de cognições, que abrange atitudes, regras e suposições. Essas crenças intermediárias, localizam-se entre as crenças centrais e os pensamentos automáticos. Então, as crenças apresentam-se numa linha teórica como centrais ou nucleares, intermediárias e geram os pensamentos automáticos.

      As crenças podem ser funcionais ou disfuncionais. As crenças disfuncionais não estão fundamentadas na realidade. Já as crenças funcionais estão ligadas á realidade.

      Uma das formas de conhecermos nossos pensamentos, centrais, intermediários e automáticos, é de nos conhecermos a nós próprios Buscarmos um momento de isolamento, respirarmos profundamente e nos perguntarmos:

      - O que está passando em minha cabeça agora?

      - E, logo após: O que estava passando por minha cabeça ainda agora, há minutos (horas, dias...) anteriores? e anotarmos num caderno própio para isso.

      E, a seguir meditarmos sobre o conteúdo que surgir e anotado. Procurar seus fundamentos ou o que levou a esses pensamentos? Ele é funcional ou disfuncional? Que crenças centrais ou intermediárias carrega? Que comportamentos pode gerar...... devo continuar com eles ou descartá-los. O que será melhor? Quais as conseqüências para mim e os outros....? Que tipo de humor esses pensamentos me trazem...?

      - Se possivel dialogar com um psicólogo sobre o assunto, para clarear ainda mais sua mente e auxiliá-lo a livrar-se dos pensamentos disfuncionais, que muito atrapalham sua vida.

      Com essa técnica na verdade estamos realizando um grande passo para nos conhecermos melhor e vivermos melhor. Estamos na trilha da máxima "Conhece-te a ti mesmo"


Referências

Knapp, P. e colaboradores. (2008). Terapia cognitivo comportamental na prática psiquiátrica. Porto Alegre. Editora ARTMED.

Rodrigues, A.; Assmar, E.; Jablonski,B (2000) Psicologia social. 18ª edição, Petrópolis, RJ. Editora Vozes.

William, M.; Rollnick, S. (2001) Entrevista motivacional. Porto Alegre, Editora Artmed.

Leituras